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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Termelétricas cada vez mais aquecidas

Rio de Janeiro, Brasil – Passados quase dois terços de 2014, a baixa quantidade de chuvas no Brasil, mais especificamente na região Sudeste, deixa suas marcas desde o início do ano no setor elétrico. Junto com a queda da quantidade de precipitações, as altas temperaturas nos primeiros meses causaram um aumento na demanda por energia para abastecer especialmente a aparelhos e sistemas de climatização.

Como resultado, o nível dos reservatórios de hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, que são responsáveis por cerca de 70% de toda a energia produzida no país, chegou ao final de janeiro com média de 40,57% de armazenamento de água, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Foi a 4ª marca mais baixa para meses de janeiro desde 2000.

No entanto, essa situação mostrou-se muito melhor do que a observada pelos mesmos reservatórios nos anos de 2000 e 2001, com marcas de 29% e 31,41%, respectivamente, e pouco antes de o governo na época decretar o racionamento de energia. E um dos principais fatores que possibilita a atual conjuntura, felizmente, é a maior disponibilidade de termelétricas, que se tornou ainda mais acentuada após o período de apagão vivido há 13 anos. Os números não deixam dúvidas quanto a isso, já que a produção das usinas termelétricas brasileiras bateu recorde em 2014. Hoje, a geração diária nessas usinas representa 24% do total da energia elétrica produzida no País. Há um ano representava 15% e, em 2012, era de apenas 6%.

O contexto atual comprova como a diversificação da matriz energética brasileira é importante. Mais ainda: o alto valor estratégico que tem não apenas o uso das termelétricas no Brasil, mas principalmente a manutenção e melhoria das condições para o funcionamento adequado das térmicas para contribuir nesse sentido. Isso se torna ainda mais notável quando entidades reguladoras do setor atestam que a falta de chuvas era uma situação desfavorável e não prevista para as hidrelétricas. Fáceis e rápidas de serem instaladas e distribuídas por diversas localidades do território nacional, as termelétricas realmente se mostram como a solução mais indicada para eventuais emergências no fornecimento de energia como a que o País enfrenta hoje.

A importância estratégica do uso das termelétricas fica ainda mais evidente ao se verificar que o recorde de produção e atual participação delas no total de energia fornecida para todo o Brasil se deve não apenas à maior ativação de plantas nas regiões Nordeste e Sudeste, mas também à exportação de energia feita por térmicas instaladas no Norte nos últimos seis meses. Isso é significativo, pois ao conectar a região ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o intuito era o de abastecer a rede local com a energia produzida por hidrelétricas distantes e o que ocorre hoje é justamente o contrário, com cidades como Manaus exportando 200 MW para outros estados e regiões, com vistas a recuperar os níveis dos reservatórios das hidrelétricas.

Outra questão essencial que a maior demanda por energia vinda das termelétricas evidencia é a importância de se otimizar a utilização de combustíveis à disposição no Brasil, especialmente ao se observar, outra vez, a infraestrutura das térmicas no Norte. Isso porque alguns locais da região já possuem gás natural e redes de gasodutos prontas para uso, mas que ainda não foram colocadas em atividade. Estima-se que, atualmente, do total de 10 milhões de m3 / hora disponível no País, usa-se apenas a metade. Desta forma, utilizar melhor o potencial do gás não apenas justifica o investimento feito em sua viabilização, mas também faz com que a demanda por energia possa ser suprida pelas térmicas de forma mais sustentável e economicamente viável.

Diante desse contexto, como parece evidente que garantir o pleno funcionamento das termelétricas hoje é mandatório, isso faz com que a manutenção dessa infraestrutura seja um ponto de atenção fundamental. Essa é uma questão bastante sensível, principalmente ao se considerar que as termelétricas brasileiras foram projetadas para complementar a matriz energética e atender a situações de emergência. Em outras palavras, isso significa que os equipamentos, em tese, não deveriam funcionar em tempo integral como ocorre hoje por força das circunstâncias, o que tem causado avarias em algumas térmicas por stress de componentes de suas estruturas. Felizmente, para contornar esse problema, soluções como as de fornecimento temporário de energia, por exemplo, são importantes aliados para dar suporte à atual produção intensiva que as térmicas estão tendo que entregar.

Pablo Varela é Diretor Geral da Aggreko Brasil

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