Gás natural pode ser a saída para enfrentar a crise energética

* por Pablo Varela

Rio de Janeiro, Brasil: Uma das maiores preocupações do setor elétrico este ano, além do risco iminente de racionamento, é o custo de energia, que para a indústria, por exemplo, subiu 48% desde o início de janeiro, de acordo com análise da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). As termelétricas, que não eram utilizadas com muita frequência por serem soluções mais caras, aumentaram consideravelmente a participação no Sistema Interligado Nacional (SIN) para suprir o déficit das hidrelétricas, o que provocou uma alta nos custos da matriz energética quando comparados aos do ano passado.

Apesar da ameaça de restrição energética estar temporariamente controlada devido à temporada de precipitações, sobretudo na região Sudeste, entidades e especialistas do setor afirmam que a crise hídrica será inevitável ainda em 2015. Isto mantém as térmicas em funcionamento contínuo, cenário que tem afetado diretamente o valor das tarifas de energia elétrica ao consumidor. Ocorre que, enquanto a água é o combustível que move as hidrelétricas, o abastecimento das térmicas brasileiras é feito sobretudo por óleo diesel, com o custo de mil reais por MW/hora, provocando um aumento ainda maior nos custos de geração, o qual é repassado aos clientes.

Diante desse cenário, um dos principais questionamentos colocados pelo setor no momento é: qual é a solução mais adequada e de baixo custo para garantir a estabilidade do sistema energético nacional e, ao mesmo tempo, atender ao consumidor?

Primeiramente, é preciso considerar que a demanda energética dos segmentos industrial, comercial e residencial pode ser atendida por diversas fontes, como óleo diesel e gás natural. Nesse sentido, é importante pontuar que o Brasil tem à disposição uma quantidade expressiva de gás que não é utilizado, do qual grande parte tem custo reduzido ou, em alguns casos, nulo. Somente nas três principais produtoras de gás do País, localizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, há um excedente de produção de 3 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, o que seria suficiente para produzir projetos de curto prazo da ordem de 600 MW. O combustível, contratado por indústrias destas regiões, não está sendo consumido e poderia ser adicionado ao sistema nacional por um custo pelo menos 30% mais barato do que a atual solução a diesel, além de ser uma opção mais sustentável.

Atualmente, há dois grandes centros brasileiros com excedente de produção de gás natural que está sendo inutilizado e, portanto, disponível: o Sudeste, no qual cerca de 2 milhões de metros cúbicos estão à disposição apenas no Estado de São Paulo; e o Norte, onde a produção está centralizada em Urucu, Manaus, uma das maiores produtoras de gás do País. Embora o combustível seja gerado pela usina, as empresas da região não estão sendo abastecidas por ela devido ao fato de o empreendimento ainda estar em fase de construção. Desta forma, o gás produzido no local gera prejuízos para a usina e poderia ser integrado ao sistema energético brasileiro no fornecimento para outras regiões do País, por exemplo.

A questão essencial para entender esta lacuna é que a indústria de gás brasileira se estruturou por meio de um misto dos contratos Take-or-Pay (ToP) ou Ship-or-Pay (SoP), que preveem o pagamento, pelo comprador, de volumes mínimos de gás natural pré-acordados, independentemente de sua utilização. Tais cláusulas foram definidas para assegurar a cobertura dos investimentos por meio da geração de receitas compatíveis com os custos de implantação de infraestrutura para esse tipo de fornecimento. Considerando que o custo do metro cúbico do gás natural é 1,15 reais e que a multa para os produtores do combustível com contrato ToP é 4,60 reais, a perda diária dessas empresas sobre o gás produzido e inutilizado pode representar muitos milhões.

Essa situação evidencia a importância de se otimizar a utilização de combustíveis disponíveis no Brasil, principalmente se considerarmos a infraestrutura das regiões Norte e Sudeste. Isso porque algumas áreas nessas localidades já possuem gás natural e redes de gasodutos prontas para utilização e conectadas ao sistema energético nacional, mas que ainda não foram acionadas. Dessa forma, utilizar melhor o potencial de gás justifica o investimento feito em sua viabilização e faz com que a oferta de energia possa ser ampliada de maneira economicamente viável. Nesse sentido, empresas de fornecimento temporário de energia, como a Aggreko, também podem fazer uma importante contribuição, pois disponibilizam ao mercado soluções distribuídas por meio de geradores abastecidos com opções de combustível que podem ser instalados em infraestruturas diversificadas para usinas térmicas e outras indústrias.

É notável, então, que a utilização de mecanismos de flexibilização da cadeia de gás natural, tanto pela contrapartida da demanda, como pela produção local de fontes do combustível ou da importação de gás natural liquefeito (GNL), pode ser uma maneira de otimizar a dinâmica das inúmeras fontes que estão disponíveis para a matriz energética brasileira. O aproveitamento do gás excedente é uma forma de garantir uma geração de energia confiável ao longo do ano, diminuir os custos do sistema e, consequentemente, das tarifas do consumidor.

Diante do cenário de dificuldades do atual sistema hidrotérmico brasileiro, é imperativo que as entidades do setor avaliem a sobra de gás produzida e inutilizada pelos consumidores, de acordo com o previsto pelos contratos ToP. ​O crescimento na quantidade de fontes de produção e de consumidores ligados à rede aumentaria os desafios e as oportunidades para o setor, pois permitiria uma rápida e ampla combinação de possibilidades de atendimento ao mercado consumidor sem desperdícios de recursos. Considerando a diversificação do mix de energia, usinas de energia temporárias são outra opção importante a considerar, visto que a velocidade e a agilidade permitida por elas têm um valor crucial em sistemas ou períodos energéticos instáveis.

Pablo Varela é Diretor Geral da Aggreko Brasil

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