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Abastecer a África de Energia: um Grande Desafio

Suprimento energético da África

De todos os desafios relacionados à economia africana, o mais urgente é o suprimento da alta demanda energética em uma região onde dois terços da população não tem acesso à eletricidade. É um desafio enorme que fica mais intimidador a cada dia. Atualmente, 600 milhões de habitantes da África Subsaariana não podem contar com um suprimento confiável de energia e esse quadro tende a aumentar para 645 milhões, uma vez que o fornecimento energético luta para acompanhar o crescimento populacional. Governantes e desenvolvedores encaram dois problemas: gerar energia suficiente para satisfazer a crescente demanda e assegurar que a energia seja distribuída para os negócios locais e os consumidores que dependem disso para sua subsistência.

Uma questão de fornecimento e demanda...

Até agora, o foco tem sido a construção de uma nova capacidade de geração e por um bom motivo. A McKinsey estima que a demanda energética cresça quatro vezes até 2040, necessitando um investimento adicional de 835 bilhões de dólares para supri-la. Na África do Sul, por exemplo, a General Electric está adicionando 9.6 GW de capacidade energética.

Fora da África do Sul, a necessidade de aumentar o fornecimento é ainda maior. A Rainbow Nation detém mais de um terço da capacidade energética da África Subsaariana, enquanto as outras 47 nações regionais (com um total populacional de 860 milhões) gera menos energia que a Espanha (com uma população de apenas 47 milhões de habitantes). Não se pode dizer que os políticos não têm ambição - a barragem do Grande Inga, prevista pela República Democrática do Congo, por exemplo, seria o maior projeto de infraestrutura da história, gerando vinte vezes mais eletricidade que a represa Hoover -, mas muitos projetos não têm saído do papel.

Parte da dificuldade é transformar os esquemas em projetos financiáveis. Fabio Borba, diretor do time de infraestrutura energética da Abraaj (líder de investimento em mercados em crescimento), salienta a crescente dificuldade em atrair investimento. No ano passado, dentre os 23 projetos financiados na África, 7 eram na África do Sul. Os longos prazos de entrega, entre sete e dez anos desde o planejamento até o investimento em si, podem desestimular alguns investidores, mas os mais ousados e determinados ainda esperam décadas para ver o retorno do seu investimento.      

De acordo com Borba, a solução para tornar os projetos financiáveis está nas instituições financeiras de desenvolvimento (IFDs). “As instituições financeiras são uma ótima ponte entre os setores público e privado”, explica Borba, e não apenas em termos de financiamento: “Elas podem dar apoio aos governos na realização de reformas legais e regulatórias”. Uma dessas iniciativas é a Power Africa. Lançada em 2013 pela USAID, a Power Africa combina investimento e apoio do Banco Mundial, do Banco de Desenvolvimento Africano e várias outras instituições financeiras com mais de 120 parceiros no setor privado. Estima-se que os projetos da Power Africa aumentem 29GW de capacidade, com mais de 4.6GW de projetos já com o financiamento fechado.

A ironia é que, apesar do fornecimento energético ser pequeno, a África ostenta recursos energéticos abundantes. Ainda que o carvão continue sendo a principal fonte de energia africana, a participação na produção energética por meio de combustível, hidrelétricas e fontes renováveis está crescendo, e a McKinsey prevê que, em 2040, até 40% da produção energética da África seja por combustíveis. A longo prazo, o potencial para produção de energia com fontes renováveis é gigante: a capacidade de uso de energia solar na África subsaariana é conservadoramente estimada em 11TW, o suficiente para suprir mais da metade da necessidade mundial de energia. O aproveitamento das fontes de energia renováveis ​​ajudaria a reduzir a discrepância no fornecimento de energia.

...Ou uma questão de disponibilidade

É um erro acreditar que a solução para a crise energética da África é simplesmente aumentar o fornecimento. A oferta enfrenta dificuldades para atender à demanda, mas a infraestrutura de transmissão e distribuição ultrapassada ou sobrecarregada acentua o problema. A interrupção da energia tornou-se um fato corriqueiro em vários países africanos: na África subsaariana as empresas e negócios locais sofrem com uma média de 40 horas de blackout por mês, o que resulta em uma queda de 16% nas vendas.

No ano passado, o Gana passou 159 dias sem energia (quase metade do ano), e o derramamento de carga permanece um incômodo frequente para os sul-africanos, apesar de ter a mais desenvolvida capacidade de geração energética da região.

A instabilidade das redes faz com que as empresas, negócios e comunidades confiem em opções mais caras de geração energética, como geradores a diesel ou lâmpadas de querosene. Mesmo para os negócios que não necessitam de tanta energia, isso gera uma grande despesa, o que impede seus planos de crescimento.  Por esse motivo, o investimento para melhorar a disponibilidade energética africana é crucial para fornecer um acesso confiável e economicamente viável à energia.

Fornecer energia para indústrias e comunidades “fora da rede” traz um desafio maior. Simplesmente aumentar o fornecimento energético para a rede principal não resolve o problema de demanda das áreas rurais. As disparidades regionais são enormes: em Nairobi, 90% das famílias estão conectadas à rede, mas na parte rural noroeste do Quênia essa porcentagem cai para 10%.

Cada vez mais, os governos estão se voltando para soluções temporárias para o fornecimento de energia. “É uma maneira prática de garantir a energia agora, enquanto os governantes e indústrias pensam em soluções a longo prazo”, explica David Edwards, diretor da África do Norte da Aggreko. A Aggreko pode instalar e comissionar plantas de 200MW em menos de 4 meses, em comparação com os 10 anos para estações tradicionais de energia. Um dos projetos fornece energia a uma mina de ouro remota usando o gás disponível na região, que não tinha aproveitamento econômico anteriormente. Esta foi uma grande solução, pois o projeto não seria economicamente viável  com diesel – uma “rápida vitória”, nas palavras de Edwards, no que diz respeito à diminuição do problema de fornecimento de energia.

Historicamente, os mercados fora da rede foram negligenciados pelas empresas de serviços públicos tradicionais e investidores, o que significa que o setor voluntário e as startups inovadoras são, em muitos ​casos, pioneiros no esforço de satisfazer essa demanda. A Barefoot College, uma organização não governamental, fornece placas solares e lâmpadas para vilas rurais. Para garantir que eles sejam uma forma sustentável de fornecimento de energia para a comunidade, eles treinam mulheres analfabetas e semianalfabetas para fazer a manutenção das placas e lâmpadas. Enquanto isso, no Quênia, a startup M-KOPA usa tecnologia solar e móvel pré-paga no fornecimento energético de mais de 400.000 usuários.

Esses tipos de projeto estão chamando a atenção de diversos investidores e instituições financeiras de desenvolvimento. Em outubro, a Green Climate Fund anunciou um investimento de 3.5 bilhões de dólares em energia renovável para fora da rede central, inicialmente focada em Benin, Quênia, Namíbia, Nigéria e Tanzânia.

O futuro das políticas energéticas

Os políticos têm de encarar o seguinte cenário: aumentar o fornecimento energético para as indústrias e para a classe média em ascensão, sem negligenciar os problemas de fornecimento das áreas rurais e pequenas empresas. Enquanto o investimento em novas formas de geração de energia é essencial, a política energética deve ir além de simplesmente aumentar o fornecimento e resolver os problemas de distribuição. O desafio duplo é garantir acesso a um fornecimento adequado de energia, sem a qual a maior parte da população africana acaba ficando no escuro.

 

Texto original: http://www.lexology.com/library/detail.aspx?g=a94430b1-6984-4e2b-8f29-e74c8cd7967d

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